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ESTUDO PARA O ALARGAMENTO
DO TABULEIRO
DA PONTE D. LUÍS I

PROJECTO PROJECT

Estudo para a travessia de peões e bicicletas ao nível do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís I

Study for the pedestrian and bicycle passageway on the lower deck of Ponte D. Luís I

CLIENTE CLIENT

Câmara Municipal do Porto e Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

CO-AUTORIA CO-AUTHORSHIP

Eng.º António Campos e Matos

Eng.º José Campos e Matos

LOCAL LOCATION

Porto e Vila Nova de Gaia

DATA DATE

2016

© António Gonçalves

Um lugar, uma ponte, em permanente (Re) construção…!

 

Neste ponto de passagem e de ligação entre as margens do Porto e Gaia desde tempos ancestrais, a construção da Ponte Luís I sucedeu a um conjunto notável de travessias, de que a memória conserva com nitidez, e por diferentes razões, a Ponte das Barcas e a Ponte Pênsil.

 

A Ponte veio para ficar…

 

Inaugurada em 1886, seguiu o desenho do engenheiro francês Théophile Seyrig, na sequência do êxito da Ponte Maria Pia, e foi concebida para ligar ambas as margens do rio à cota alta e à cota baixa, sendo originalmente destinada ao tráfego de pessoas e de veículos de tracção animal.

Estava iniciado o seu longo percurso de vida e de mudança, com sucessivos ajustes da estrutura na sua longa existência de 130 anos, a solicitações cada vez mais exigentes, demonstrando sempre uma notável capacidade para se adaptar, mantendo intactos, Carácter e Carisma!

 

Com a passagem do século XIX para o século XX, acolheu veículos de tracção mecânica cada vez de maior dimensão e peso (eléctricos, automóveis, camiões e trolleys) tendo sido a ultima adaptação ao Metro, a sua mais radical prova de fogo!

 

É no essencial, um objecto, (um Ser!), sobrevivente e vigoroso…!

 

O estado actual – em resultado do grande afluxo turístico dos últimos anos e particularmente à cota do Rio - é de grande insegurança, com um trânsito mecânico intenso a par com a travessia de peões que circulam com dificuldade e perigo entre as zonas ribeirinhas da cidade.

É neste contexto – e numa altura em que toda a atenção é focada na conservação do seu tabuleiro inferior - que surge a oportunidade de solucionar este problema tão premente, e a que o presente estudo procura dar um contributo decisivo.

 

Parte da ideia de que intervir num objecto patrimonial, deve obedecer a dois princípios basilares:

 

  • Contemporaneidade da intervenção;

  • Identidade, Autonomia e Reversibilidade da solução.

 

A busca pela compreensão do Objecto conduziu a uma solução equilibrada, respeitadora da sua identidade - mas não mimética - configurando uma Marca do Tempo, na senda, aliás, de todas as intervenções anteriores.

 

A presente proposta consiste na eliminação do transito pedonal dos passeios interiores, com a sua passagem para o exterior do tabuleiro, de ambos os lados da ponte, aliviando o transito mecânico e criando dois percursos autónomos, altamente qualificados, de grande beleza paisagística, destinados a peões (a jusante) e a bicicletas (a montante).

A construção passa pela montagem de uma estrutura de vigas metálicas aparafusadas, sob o tabuleiro, prolongando-se em balanço, sobre as quais são colocados perfis longitudinais, com um pavimento em deck de madeira de ipê e guardas laterais em barras perfiladas, com um desenho singular, testado de há muito, nas varandas da cidade.

 

Completa a intervenção o rearranjo das infraestruturas que atravessam o rio, através de um sistema de calha técnica, incorporando o dispositivo de iluminação pública, constituído por Leds.

 

Nos encontros com as margens - circundando o arranque do arco principal e os pegões em pedra - são propostas plataformas dilatadas, com um desenho idêntico, tendo no entanto uma estrutura independente, apoiada nos maciços rochosos.

Em termos de navegabilidade, não se verifica uma redução significativa do “tirante de ar” da ponte, uma vez que as vigas transversais apresentam uma altura de 0.45m - o que acontece a intervalos de 3 metros - permitindo a passagem de mastros de embarcação, com a altura máxima actual.

Foram consideradas saídas de emergência pontuais para o tabuleiro, e o percurso pedonal mantém uma distancia de segurança relativamente aos elementos estruturais da ponte.

 

A largura livre dos passadiços é de 2,50m somando uma área aproximada de 1.100m2.

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© 2022 | Virgínio Moutinho Arquitecto, Lda.

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