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'FOTOGRAFIAS
PERIFÉRICAS'
 

CURADORIA CURATORSHIP

Dr.ª Maria do Carmo Serén

Dr.ª Teresa Siza

LOCAL LOCATION

CPF Centro Português de Fotografia, Porto

'PERIPHERAL
PHOTOGRAPHY'

 

DATA DATE

2006

"Como arquitecto sempre me interessaram as imagens amplas, enquanto tentativas de captura do "espírito do lugar" (Genius Locci), o que despertou em mim um fascínio irresistível pela fotografia panorâmica.

 

A utilização de câmaras fotográficas rotativas – para além do interesse específico suscitado pelo seu aspecto mecânico - proporcionou-me uma incursão na fotografia panorâmica, com imagens da minha cidade: o Porto.

 

Outras experiências no campo da fotografia periférica, a partir do trabalho de Andrew Davidhazy, permitiram-me explorar a construção de périfotografias ou ciclografias - vistas contínuas tomadas em redor de um objecto - produzindo estranhas imagens planificadas, em que Tempo e Movimento participam como elementos essenciais da composição.

 

As imagens que apresento são na sua maior parte auto-retratos, resultantes da total disponibilidade do autor e modelo; as restantes são fotografias de família e de alguns objectos, que completam esta série. Foi utilizada película 120 Ilford HP4 para o preto e branco e 120 Fuji RDP III para a cor, sem qualquer efeito adicional ou trucagem.

As fotografias a preto e branco foram impressas em laboratório. A cor foi obtida por processos fotográficos digitais.

 

As câmaras utilizadas foram a Seitz Roundshot 35/35S e a Seitz Roundshot Super 220 VR."

 

Virgínio Moutinho, 2006

Fotografias Periféricas_Cartaz_bxr.jpg

Há todo um olhar de modernização que se foi confirmando na contemporaneidade e que tende a aceitar a desterritorialização e a equivalência que hoje comandam as nossas percepções. O observador, esse processo moldável de apropriação também é apropriado pela tecnologia que corporiza conceitos e fabrica os sentires.

 

Foi a representação digital que nos materializou o interior de todas as coisas: o interior sobreviveu milénios como simples conceito, na realidade apenas podíamos olhar superfícies.

 

Estas imagens expandidas no seu vulto redondo, nada têm a ver com programas digitais, nem mesmo relevam da evocação das produções químicas fotográficas do Futurismo que pretendiam simular o dinamismo do movimento. São panorâmicas de câmara rotativa e os seus efeitos dependem da imaginação. Provam-nos, ainda e de novo, a insanidade da percepção e a saudade do estético. O fotógrafo, que é, ainda, arquitecto, isola sítios e estruturas, mas os seus ensaios devolvem-lhe opacidade e indeterminação, que se geram no processo caótico de dar o nome.

 

Muito provavelmente são assim os arquétipos bifrontes dos nossos absolutos e das nossas memórias com que construímos as contingências do saber, da beleza e do sentir.

Maria do Carmo Serén

Centro Português de Fotografia/ MC

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Fotografias da exposição, 2006

Peças expostas, 2006

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